O modelo é apenas uma camada

Modelos de linguagem interpretam instruções e produzem respostas, mas um agente precisa fazer mais. Ele consulta fontes, escolhe ferramentas, executa etapas, mantém estado e decide quando parar ou pedir ajuda.

Por isso, trocar o modelo nem sempre resolve um agente ruim. A falha pode estar no contexto recuperado, na descrição das ferramentas, no processo, nas permissões ou na ausência de critérios de avaliação.

Contexto vence o prompt

Um bom prompt não compensa dados incompletos, contraditórios ou desatualizados. Em ambientes empresariais, o agente precisa saber qual fonte é válida, qual versão usar e quais informações pertencem àquela tarefa.

A arquitetura de contexto inclui busca, memória, regras, perfis de acesso e mecanismos para citar ou rastrear a origem da informação. Essa camada precisa ser desenhada como parte do sistema, não como um complemento posterior.

Autonomia precisa de limites

Quanto maior a consequência de uma ação, maior deve ser o controle. Um agente que resume documentos exige um nível de governança diferente de outro que aprova descontos, altera contratos ou movimenta dinheiro.

  • Permissões mínimas necessárias
  • Revisão humana em decisões críticas
  • Registro completo de ações
  • Limites de custo e frequência
  • Rotas claras para exceções e falhas

Avaliar antes e depois da produção

A avaliação precisa representar o trabalho real. Um conjunto de testes deve incluir casos comuns, ambiguidades, dados ausentes, instruções conflitantes e tentativas de ultrapassar limites.

Depois da implantação, observabilidade e revisão contínua mostram onde o comportamento mudou, quais exceções surgiram e se o resultado de negócio está sendo alcançado.

O agente como produto organizacional

Agentes não pertencem somente à tecnologia. Precisam de dono de processo, especialistas do domínio, segurança, arquitetura e usuários participando do desenho.

Quando essa responsabilidade é compartilhada, o agente deixa de ser uma demonstração sofisticada e se torna uma capacidade confiável da organização.

Izabela Anholett

Fundadora da Nura AI, ex-CTO da EXAME, professora e palestrante. Atua na interseção entre Inteligência Artificial, estratégia, liderança e transformação de negócios.

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